SÉRIE: Como Receber o Milagre de Deus
AUTOR: Pr. Robson Brito
MINISTRANTE: Ev. Daniel Ramos – Co-Pastor da Sede
Texto Bíblico: Juízes 7.1-22
Parte 6: Milagre operado por Deus por meio do ministério de Gideão
Os midianitas oprimiram os israelitas por sete anos (6.1). Eles subiam cada ano e tomavam os produtos alimentícios dos campos e todos os animais dos hebreus. Para sobreviver, os israelitas escondiam alimentos do inimigo (6.4-5). Gideão estava preparando comida para escondê-la quando o Anjo do Senhor apareceu (6.11). Deus o chamou para libertar Israel da opressão dos midianitas. E, assim, chegou o dia da grande batalha (Juízes 7). Neste milagre aprendemos algumas lições.
I. PARA OCORRER O MILAGRE, INICIALMENTE, DEUS AGE TIRANDO TUDO O QUE IMPEDE O AGIR D’ELE.
1. O conceito humano de que os valores qualitativos definem os valores quantitativos (vv. 4-6). Gideão conduziu seu exército de 32.000 israelitas para o campo de conflito contra 135.000 midianitas. Sua desvantagem militar era de 4 contra 1! Deus não deixou Gideão entrar na batalha com este número de soldados. Em duas etapas, ele diminuiu a força militar de Israel. Primeira etapa: 22.000 voltaram para casa. Na segunda etapa: Deus mandou embora mais 9.700 israelitas, deixando Gideão com apenas 300 soldados. Para vencer o inimigo, cada soldado israelita teria que vencer 450 soldados dos midianitas! Deus contou com poucos!
2. O Orgulho (v. 2). Para ocorrer o milagre, deus age de modo que toda possibilidade de orgulho seja abatida. Deus reduziu-a , na sua perfeita sabedoria, tinha um propósito bem definido nesta redução das forças militares de Israel. Ele mandou seu exército à batalha com uma desvantagem tão grande que ninguém poderia dizer: "A minha própria mão me livrou" (Juízes 7:2). Até hoje, muitas pessoas não aprenderam esta lição. Confiam em números, achando que grandes multidões são evidência da aprovação de Deus. Dependem de estratégias e táticas humanas e carnais para alcançar alvos de sucesso. E, no fim, se gabam em seus relatórios, destacando os grandes feitos de homens. Deus usou Gideão porque era humildade (6.15).
3. A Covardia e o Medo (v. 3). Para ocorrer o milagre, Deus age de modo que toda covardia e medo sejam afastadas.
a) Os covardes e medrosos assumiram a sua covardia. Coragem é uma virtude que não se pode fingir. Os que fossem medrosos deveriam voltar. Os milagres de Deus não são para os covardes e medrosos. Por isso voltaram 22 mil homens. Gideão pode ser usado para realizar o milagre da libertação contra os inimigos de Deus, pois ela permitia que Deus o encorajasse – vejamos Juízes 6.12.
b) Fé e coragem andam juntas. Não há fé sem coragem, assim como não há coragem sem fé. Uma depende da outra para que haja milagres. Com fé cremos inteiramente em Deus, com a coragem cremos que nós podemos receber o milagre. A fé foca no Todo Poderoso e a coragem foca em nós mesmos. Eis o paradoxo do milagre: Se não crermos em Deus jamais vamos recebê-lo, mas, se nós também não acreditarmos em nós mesmos também não o receberemos.
4. Egoísmo - v. 4 “provarei”.
Para ocorrer o milagre, deus prova os envolvidos, tirando todo egoísmo. Esta leva de homens tinham coragem e talvez algo de fé; todavia, só pensavam em si, eram imprudentes, inconsequentes, imperitos, negligentes. As necessidades físicas deles eram colocadas por ele acima do bem comum. Não se aperceberam que poderiam ser atacados satisfazendo sua sede. Deus não opera milagres no egocentrismo.
II. PARA OCORRER O MILAGRE, DEUS ESPERA QUE FAÇAMOS A NOSSA PARTE
1. Confiar que, quando o prodígio envolve terceiros, Deus agirá, onde nós não podemos atuar - vv. 9 – 14
2. Adorar ao Senhor, antes de nos apropriarmos literalmente da bênção – v.15
3. Falar palavras de fé e de vitória – v. 15
4. Crer que Deus age preferindo usar meios e métodos que do ponto de vista da lógica não tem valor nenhum – vv 16-22, 1 Co 1.27-29.
5. Aceitar a verdade de que o milagre o corre no tempo de Deus - v.19
Na língua portuguesa utilizamos uma só palavra para significar o "tempo". Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: khronos e kairos. Os escritores do NT, inspirados por Deus, também fizeram esta distinção: Enquanto khronos refere-se ao tempo cronológico, ou seqüencial, o tempo que se mede, kairos é um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece, a experiência do momento oportuno. Kairos é a forma qualitativa do tempo, o "tempo de Deus", enquanto khronos é de natureza quantitativa, o "tempo dos homens". Deus opera milagres no kairos, que não pode ser medido, pois "para o Senhor um dia é como mil anos e mil anos como um dia."
6. Aprender que existe algo mais elevado do que os passos para receber um milagre de Deus e mais elevado que o próprio milagre (Isaías 9.4).
É como se o profeta quisesse dizer: "O pecado de seu povo (esta é uma pesada "carga de seus fardos" em sua consciência) e a morte (esta é uma "vara" ou punição, que bate em "suas costas") e o inferno (que é um "cetro" e meio de violência do "opressor", com que o pagamento eterno pelos pecados é exigido) – Interpretando este texto, Lutero escreveu: “Isto tudo você tem vencido, como antigamente aconteceu no tempo dos midianitas, ou seja através da fé, com a qual Gideão espantou os inimigos sem um golpe de espada. Isaías usa figuradamente estas metáfora para falar que o milagre da salvação foi produzido por Jesus Cristo. Quando ele fez isto? Na cruz. Ele é a vívida e imortal imagem contra a morte; pois Ele a sofreu mas a venceu em Sua vida através de sua ressurreição dos mortos. Ele é a imagem da graça de Deus contra o pecado; pois Ele o tomou sobre si e o venceu através de Sua inabalável obediência”.