SÉRIE: Ética Cristã e a Tomada de Decisões
Pelo Pr. Robson Brito
Ministrante: Prof. Eduardo Salles
Parte 2 – As Tomadas de Decisões com base na Ética Naturalista
Texto Inicial: 1 Coríntios 2. 12-14
Os estudiosos da Ética, geralmente, agrupam as alternativas éticas em: (1) humanísticas, (2) naturalística; e (3) religiosas.
No estudo passado, dedicamo-nos às Éticas Humanísticas, agora, veremos algo sobre a ética naturalística.
1) Conceito de Ética Naturalística:
Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.
O pregador referiu-se a algo semelhante algumas ideias da ética naturalística: Eclesiastes 3.18,19.
2) Defensores da corrente da Ética Naturalística: Trasímaco (sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade. Modernamente, Nietzsche e alguns biólogos deterministas como Herbert Spencer e Julian Huxley.
3) Inspiração da Ética Naturalística:
a) A ética naturalística tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza baseados na Teoria da Evolução (de Charles Darwin):
b) Esta idéia é mostrada de modo indireto na Bíblia: Jacó lançou mão da seleção natural (Gn 30.41,42); Jacó também via seu filho mais velho a partir desta perspectiva (Gn 49.3). Este princípio rege a relação entre os povos (Jz 1.28).
4) A Ética Naturalística opõem-se à Palavra de Deus:
a) Inversão de valores bíblicos: Nietzsche considerava como virtudes reais a severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a piedade. Para este homem o sermão da montanha e, especialmente, as bem-aventuranças (Mt 5.1-12) é uma loucura.
b) Pode-se perceber a influência da ética naturalística claramente na sociedade moderna. A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram doentes mentais e esterilizaram os "inaptos" biologicamente. Sade defendia a exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas por neo-nazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres. Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalística da sobrevivência dos mais aptos e da destruição dos mais fracos. A descrição que o apóstolo Paulo faz da extrema corrupção nos últimos tempos mostra que a ética naturalística tem também um sentido escatológico (2 Tm 3.1-9)
c) Não podemos aprovar a Ética Naturalística (Ef 5.11). Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A natureza como a temos hoje se afasta do estado original em que foi criada. Não pode servir como um sistema de valores para a conduta dos homens. Os salvos, na ressurreição do Senhor Jesus ressuscitaram juntamente com Ele, e por esta razão, estão numa posição espiritual, em e por isso não aprovam o padrão ético naturalístico (Ef 2.1-6)!