Parte 7a – Algumas decisões relacionadas à morte (Gn 3.19b; Ec 3.20; Hb 9.27).
Já vimos que a Ética Cristã condena terminantemente o homicídio.
Também vimos que a pena de morte à luz da realidade da Justiça brasileira, do pecado estrutural de nossa sociedade e da natureza decaída do homem natural é totalmente desaconselhável. Todavia, tanto o AT como o NT dão base para prática desta pena capital no caso de crimes gravíssimos.
No mesmo sentido, vimos que o suicídio é totalmente condenado pela filosofia e muito mais pela Bíblia Sagrada.
Analisaremos algumas decisões ligadas à morte, antes porém, é preciso assimilarmos alguns conceitos preliminares.
1) Morte: Separação do elemento imaterial do ser humano (alma + espírito) do corpo, que também é templo do Espírito Santo.
a) Do ponto de vista natural, a morte é um fato assustador – Sl 55.4: “O meu coração está dorido dentro de mim e terrores da morte sobre mim caíram.
b) Deus não tem prazer na morte do ímpio - Ezequiel 18.23: “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor JEOVÁ: não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos, e viva?” – 2 Pe 3.9.
c) Todavia, a morte do salvo é o meio pelo qual ele vai à “presença” do Senhor - Fp 1.21: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho”.
2) Dor: Fisicamente, é a sensação desagradável produzida pela excitação de terminações nervosas sensíveis aos estímulos dolorosos e classificada de acordo com o seu lugar, tipo, intensidade, periodicidade, difusão e caráter; é a expressão ou manifestação do sofrimento físico ou moral. Psicologicamente, é também a mágoa originada por desgostos do espírito ou do coração; sentimento que surge em decorrência de dano causado a outrem ou a si mesmo; sentimento de pena com relação a outrem ou a si mesmo; compaixão, dó;
a) Jó declara a brevidade da vida natural e declara a inexorabilidade da dor (14.22: Mas a sua carne nele tem dores; e a sua alma nele lamenta).
b) A dor e sua conseqüência final: a morte são efeitos do pecado de Adão (Gn 2.17; 3.3,11; Rm 6.23a); e, por causa disso, “a morte passou a todos os homens” (Rm 5.12).
c) A dor nem sempre é conseqüência de pecado ou de castigo do Senhor (Jó 2.13): E se assentaram juntamente com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande.
d) Davi normalmente associava suas dores aos seus pecados pessoais (Sl 25.18): Olha para a minha aflição e para a minha dor, e perdoa todos os meus pecados.
e) Eliú acusa Jó de se opor a Deus e de entender mal o castigo que ele julgava que Deus infringia sobre ele em suas dores (33.19: “Também na sua cama é com dores castigado, e com a incessante contenda dos seus ossos”.
f) Jó acusou os seus amigos de falta de compaixão diante da sua dor e lamenta o fato de que falando ou calando-se sua dor não passava (16.6: Se eu falar, a minha dor não cessa, e, calando-me, qual é o meu alívio?)
g) No novo céu e nova terra Deus, promete: “não haverá mais morte nem dor, nem lágrimas e nem ranger de dentes” (Ap 21. 4).
3) Ser humano:
3.1 Cada ser humano para a Ética secular é considerado como individualidade espiritual, e dotado de atributos como racionalidade, consciência de si, domínio da linguagem, valor moral e capacidade para agir. Para o filósofo cristão Immanuel Kant, o ser humano é um fim em si mesmo, e por esta razão apresentando um valor absoluto, em oposição a coisas e objetos inanimados (nada além do que meios ou instrumentos, e, portanto, com um valor relativo).
3.2 Para Ética Cristã, o ser humano é a imagem e semelhança de Deus e portador do maior bem que possa existir no universo que é a vida humana, a qual como somente Deus pode dá-la, somente Ele tem o direito de determinar seu fim. Jesus morreu para salvar todos os seres humanos Deus ama a todos e, em sua perfeição, trata-os pela sua infinita graça e misericórdia. Isto enseja um outro conceito: o de dignidade humana.
4. Dignidade Humana para Ética Cristã. É a qualidade moral de ser imagem e semelhança de Deus que possui a pessoa humana e que por si só infunde respeito. É a consciência do próprio valor que a pessoa como portadora da vida dada por Deus tem. É a honra, a autoridade e a nobreza. A dignidade humana significa que o ser humano é sempre fim e merece por isso proteção por si mesmo, porque ele, enquanto tal, tem o originário direito de viver. Deus valoriza a vida e criou leis para protegê-las e Jesus de Nazaré potencializou o espírito destas leis.
5. Longevidade
a) A Bíblia apresenta a longevidade com qualidade de vida uma bênção de Deus (Sl 91.16; Sl 21.4; Ex 20.12; Pv 3.2; 10.27; Ef 6.2).
b) Exemplos de Longevidade na Bíblia:
· Abraão - Deus prometeu a Abraão que ele morreria em boa velhice e cumpriu isto na vida deste patriarca (Gn 15.15: E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado; 25.8: E Abraão expirou e morreu em boa velhice, velho e farto de dias; e foi congregado ao seu povo).
· Gideão - Também faleceu numa boa velhice (Jz 8.32: E faleceu Gideão, filho de Joás, numa boa velhice e foi sepultado no sepulcro de seu pai Joás, em Ofra dos abiezritas);
· Davi - 1 Cr 29.28: E morreu numa boa velhice, cheio de dias, riquezas e glória; e Salomão, seu filho, reinou em seu lugar).
· Jó - Depois de sua restauração morreu saudável e longevo (42.17).
6.Quem pode definir o fim da vida? Existe um tempo de Vida predeterminado para uma pessoa humana? O ser humano pode aniquilar o plano de Deus em sua vida, incluindo aí, abreviar o tempo de sua vida?
a) O AT declara que Deus é quem “...faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam” (Jó 5.18). No mesmo sentido: Dt 32.39; 1 Sm 2.6; Os 6.1). Em Eclesiastes, vemos que há um tempo determinado para tudo (Ec 3.1,2). Deus promete longevidade para quem o servir, mas para quem peca deliberadamente pode ter o tempo de vida subtraída.
b) Pv 10.27: “O temor do Senhor aumenta os dias, mas os anos dos ímpios serão abreviados”. No mesmo sentido: Sl 34.21; Pv 1.32;
c) Um Crente em Cristo pode ter sua vida abreviada?
Próximo estudo: Parte 7b – Algumas decisões relacionadas à morte
Eutanásia (suicídio assistido), distanasia, mistanasia, autanasia e ortonasia.