Parte 8 – Algumas decisões de exceção acerca do respeito à vida e à integridade física do ser humano (Ex 22.2; Nm 35.26,27).
Já vimos que, no AT, a Bíblia condena o homicídio terminantemente (Ex 20.13; Dt 5.17). No NT, esta prescrição é mais exigente ainda, dizendo que seremos condenados caso venhamos a nos encolerizar e xingar o nosso próximo (Mt 5.21,22). Ainda os apóstolos declaram que aborrecer o irmão é homicídio (1 Jo 3.15) e, obviamente, os homicidas não herdarão o céu (Gl 5.20; Ap 21.8).
Mas, a Ética Cristã encontra subsídio na Palavra de Deus para tomada de decisões, por estado de necessidade, como exceção à regra primordial dos textos bíblicos citados anteriormente. É isto que estudaremos nesta parte de nossa reflexão.
I. QUESTÕES PRELIMINARES
1. Se Jesus manda-nos “oferecer a outra face”, quando agredidos (Lc 6.29,39)? Por que ele não ofereceu a outra face, quando esbofeteado, na noite de seu julgamento por Anãs? Do contrário, por que Ele protestou fortemente contra aquele que o estapeava: (Jo 18.23)?
2. Se Jesus disse-nos: “Bem-aventurados..., quando vos injuriarem e vos perseguirem” (Mt 5.11). Por que, então, Ele declarou na noite que foi preso aos seus doze apóstolos quem não tivesse espada deveria vender sua capa e comprar uma (Lc 22.36-38)? E por que Ele não aprovou o uso da violência feita por Simão quando cortou a orelha do empregado do sumo-sacerdote (Jo 18.10,11)?
II. EXCEÇÕES À CONDENAÇAO PELA PRÁTICA DO HOMICÍDIO, NA BÍBLIA SAGRADA.
1. As 18 referências bíblicas que dão legitimidade à pena capital, conforme estudamos na parte 5 desta série.
2. No caso também de Êxodo 22.2.
3. Da mesma forma Números 35.26,27.
4. Em algumas guerras determinadas por Deus (Alguns exemplos: Js 10.16-26; 1Sm 15.2ss; 1Rs 20.42).
5. E no NT temos a legitimidade dada ao Estado (Rm 13.4). Textos correlatos: 1ª de Pedro 2.14; 3.13).
III. APLICAÇÕES ÉTICAS PARA O CRISTÃO
Com base nos princípios extraídos das Escrituras e das interpretações que fizemos delas, podemos declarar algumas verdades postuladas por uma das correntes mais aceitas da Ética Cristã.
1) O caso da legítima defesa. Sua definição pela justiça dos homens tem base bíblica; e é aceitável ao cristão, desde que respeitados as três condições básicas, sine qua non, exigidas pelas leis dos Estados democráticos de Direito para que a LD fique inequivocamente caracterizada.
2) O caso do ERD e ECDL: Os cristãos que atuam em trabalhos que, eventualmente, são obrigados a exercer a força física, com base no exercício regular de um direito, e/ou pelo estrito cumprimento de um dever legal não pecam ao usar a força (o que, às vezes, são obrigados a ir às últimas consequências).
3) O caso da guerra. Sabemos que nem todas as guerras materiais são justas. Também parece exagero e fuga da realidade dizer que nenhuma guerra é justificável. A melhor opção ética seria admitir que algumas guerras são justificáveis. Neste caso, o cristão se tiver a profissão militar ou se outro desejar se engajar em alguma guerra justa para defender sua pátria não peca.