Vivemos em uma época em que a necessidade de uma consciência ecológica é a palavra de ordem. Enquanto há os que se preocupam com a preservação do meio ambiente, existem aqueles que praticam ações reprováveis que prejudicam a natureza. Não podemos esquecer que todas as formas de vegetações são essenciais à nossa sobrevivência. As árvores, por exemplo, além do oxigênio que produzem pela fotossíntese, presenteiam-nos também com a sombra e os frutos comestíveis.
Quando penso nisso, lembro-me dos tempos de criança, quando morava na zona rural deste município. Há três décadas, existiam lindos cafezais, perfumados pomares próximos às casas, alguns resquícios de florestas e matas à beira dos ribeirões. Hoje, a nossa realidade é bem diferente. O pouco que restou daqueles arvoredos pode ser visto a distância, isoladamente, em meio aos vastos campos agrícolas. Em cidades como a nossa, entretanto, a população tem o privilégio de se beneficiar com várias espécies, que outrora foram plantadas nas suas ruas e avenidas. A maioria dessas árvores possui abundante ramagem e as suas copas nos protegem do ardente calor do sol nos dias de verão.
Mas, infelizmente, algumas delas são impróprias para o meio urbano. Prova disso são os acidentes que ocorrem a cada vendaval. Apesar de tamanha exuberância, muitas não resistem à força dos ventos e são arrancadas até mesmo com as raízes. Restam ao poder público e aos munícipes arcarem com os prejuízos de grande monta decorrentes desses desastres. No entanto, uma coisa que tenho observado é que, embora isso possa ocorrer com qualquer tipo de planta, nunca vi uma variedade frutífera ser vitimada por uma tormenta.
Como as frutas sempre fizeram parte do meu cardápio diário, na infância e em parte da adolescência, o pomar da minha casa era um dos lugares que eu mais gostava de frequentar. Subir em árvores para colhê-las, fresquinhas e suculentas, sempre me foi demasiadamente prazeroso. Nesse local, tive oportunidade de ver várias espécies, dentre elas, algumas bem antigas, mas que continuavam produzindo, ainda que em menor quantidade que as mais novas. Vi, inclusive, pessoas atirarem pedras, pedaços de madeiras e outros objetos nas suas copas ou até chacoalharem os seus galhos, no intuito de derrubarem seus coloridos e saborosos frutos.