Nesta terça-feira (28) pela manhã, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmou que 73 casos de gripe suína foram diagnosticados no mundo. No México, o número de mortes provavelmente causadas pela doença aumentou para 152. Inspetores das Nações Unidas foram para o país examinar relatos de que fazendas industriais de criação de suínos teriam sido a fonte do surto.
Também nesta terça o governo espanhol confirmou a existência de um segundo caso de gripe suína, na cidade mediterrânea de Valência, que se junta ao de um jovem detectado na segunda-feira. As autoridades sanitárias da Nova Zelândia confirmaram que 11 pessoas contraíram a gripe suína no país, e que outros 43 casos estão à espera do resultado dos exames de laboratório, assim como o Ministério da Saúde de Israel, que confirmou o primeiro caso de contágio da doença no país, após exames realizados em um dos dois suspeitos de sofrer da doença.
Em quase todos os casos registrados de gripe suína fora do México, os infectados ficaram apenas levemente doentes e conseguiram se recuperar completamente. Nos Estados Unidos, mais 20 casos foram confirmados no Estado de Nova York. Casos também foram registrados nos Estados de Ohio, Kansas, Texas e Califórnia. O total de casos confirmados no país já chega a 40. A Coreia do Sul informou que está fazendo testes para determinar se uma mulher de 51 anos está infectada com o vírus da gripe suína. Para além da fronteira mexicana, o Canadá têm um caso confirmado e o Reino Unido tem dois.
Na Alemanha surgiram três novos casos suspeitos de contaminação com a gripe suína, informou nesta terça, em Berlim, o Instituto Robert Koch (RKI), responsável pela coordenação do combate a epidemias.
Trata-se de três pessoas no sul da Alemanha, entre as quais um casal que regressou há pouco tempo de férias no México, disse o diretor do RKI, Joerg Hacker. No terceiro caso, "os sintomas parecem ser estranhos a uma gripe" e os três pacientes foram já submetidos a testes de despiste da gripe suína, adiantou ainda Hacker.
O vírus da gripe suína detectado pela primeira vez no México não pode mais ser contido e os governos agora devem se focar em medidas para mitigar seus efeitos, disse um representante de alto escalão da OMS. A declaração foi feita pelo diretor-geral-assistente da entidade, Keiji Fukuda, no momento em que organização anunciou que estava aumentando seu nível de alerta para 4 - dois níveis abaixo do referente a uma pandemia. "Com a disseminação do vírus...fechar fronteiras ou restringir viagens tem muito pouco efeito na contenção desse vírus", disse Fukuda.
O nível de alerta grau 4 sinaliza que o vírus está mostrando a capacidade de ser transmitido entre humanos, com a possibilidade de causar surtos em comunidades. Os primeiros lotes de vacina contra a gripe suína podem estar prontos em quatro ou seis meses, mas, de acordo com Fukuda, levará mais alguns meses para que ela seja produzida em grandes quantidades. Especialistas em saúde afirmam que o vírus da gripe suína tem a mesma origem de vírus que causam surtos periódicos em humanos. Mas eles afirmam que a nova versão do vírus que foi detectada contém material genético de vírus que normalmente afeta porcos e pássaros.
Plano Nacional
No Brasil, o Ministério da Saúde começou nesta segunda-feira a distribuir panfletos sobre a gripe suína nos principais aeroportos do país e a fazer uma triagem dos passageiros provenientes de México, Estados Unidos e Canadá para tentar barrar a chegada do vírus.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou após reunião do Gabinete Permanente de Emergência, em Brasília, que ainda serão compradas 100 mil máscaras para serem distribuídas nos aeroportos que recebem passageiros vindos da América do Norte.
"É importante que se diga que não há motivo para pânico. Todas as autoridades sanitárias do Brasil têm tomado providências suficientes. Não temos neste momento nenhum caso identificado no país e as medidas que podem ser tomadas são preventivas, de orientação para as pessoas, para que, ao menor sinal de sintomas relacionados, que procurem o serviço de saúde para que recebam orientação adequada", explicou o secretário de atendimento à saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame.
Um total de 51 hospitais de referência já foram mobilizados pelo Ministério da Saúde; além de secretarias municipais e estaduais para atender eventuais casos humanos de gripe suína no Brasil, ainda não registrados.
O Ministério da Saúde anunciou ainda que acompanha o estado de saúde de 11 pessoas que estiveram em países afetados pela gripe suína. Três delas estão no Hospital das Clínicas, em Minas Gerais. Há ainda duas no Rio de Janeiro, duas no Amazonas, duas no Rio Grande do Norte, uma em São Paulo e outra no Pará. Nenhum paciente, segundo o ministério, preenche a definição de caso suspeito conforme os critérios estabelecidos. A pasta ressaltou que, até o momento, não há evidências da circulação do vírus no Brasil.
Para o presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Osmar Terra, "todo risco de pandemia preocupa". Ele afirma, no entanto, que o Brasil está preparado para evitar a entrada da doença no país e combatê-la, se for necessário. "O Brasil está fiscalizando a entrada nos aeroportos e cada Estado tem um sistema de isolamento nos hospitais. O Brasil está preparado para uma eventual pandemia."
Saiba mais sobre a doença
O vírus da gripe suína tipicamente afeta porcos e não humanos. No entanto, o vírus sofreu mutações com misturas entre vírus que atacam suínos, aves e humanos.
O vírus H1N1 é a mesma variedade que causa epidemias de influenza em humanos. É transmitido, entre pessoas, principalmente por espirros e tosses.
Os sintomas são febre superior a 39ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.
Embora já existam remédios que parecem ser eficazes contra o vírus, especialistas querem saber a razão de algumas pessoas ficarem gravemente doentes enquanto outras apresentam apenas sintomas mais leves de gripe.
Para evitar a contaminação, o Ministério da Saúde pede que as pessoas não compartilhem alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal. Recomenda-se também lavar as mãos com frequência, por 15 a 20 segundos, usando água e sabão ou até gel à base de álcool, especialmente depois de tossir ou espirrar, evitando levar a mão aos olhos, ao nariz ou a boca.