Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram. Hebreus 13:9

Assembléia de Deus
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Notícias

31/07/2010 / Notícias

Voto ético: é coisa de crente!

Política não é coisa do diabo, como alguém pensa

Pr. Robson admaringa

Política não é coisa do diabo, como alguém pensa. Ela é a ciência e a arte de bem governar e legislar. Pode ser um instrumento de Deus, que lança mão da liberdade individual que dotou o ser humano para realizar os Seus propósitos.

 

Se política fosse coisa de Satanás, Jesus não teria dito a Pilatos que o poder que ele recebera para julgá-Lo foi por permissão divina (Jo 19.11); José não teria se tornado a segunda pessoa mais influente no tempo da dinastia dos reis hicsos no Egito (Gn 41); Daniel não teria sido ministro durante quatro impérios mundiais; Deus não teria utilizado a Pax Romana para enviar o Seu filho Jesus à Terra e Cristo não teria pago impostos a César (Mt 17.24-27; 22.21); o Senhor Jesus não teria lançado mão do direito de cidadania do apóstolo Paulo para facilitar a sua entrada no mundo gentílico, a fim de pregar o Evangelho (At 22.25). O que é do diabo é a politicagem! E o que é isso? É a política mesquinha, estreita, de interesses pessoais, feita de modo inescrupuloso e desonesto.

 

Oremos e jejuemos pelas eleições. Votemos dirigidos por nossa consciência cristã e pelo nosso Pai celestial. Como cidadãos do Reino do Céu que somos, Deus quer nos usar como os melhores cidadãos da Terra.

PR. Robson Brito

 

DEZ MANDAMENTOS DO VOTO ÉTICO

 

I - O voto é intransferível e inegociável. Com ele, o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu país, Estado e município.

 

II - O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar a sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade noutra direção.

 

III - Pastores, anciãos e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, a bem de sua credibilidade, o pastor evitará transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução “político-partidário”.

 

IV - Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a congregação deve votar é dar oportunidade para que todos os candidatos ao executivo exponham seus planos de governo aos irmãos. Ou, se preferirem, organizarem debates multipartidários e simultâneos, a fim de que os representantes das correntes partidárias sejam ouvidos sem preconceitos.

 

V - É preciso muita prudência, discernimento, temor a Deus e responsabilidade para não constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a congregação (o que é pecado grave). Isso por causa da diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza as diferentes igrejas locais.

 

VI - Nenhum cristão deve sentir-se obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos, ditos cristãos, são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que esse tipo de candidato queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou da denominação a que pertence. É óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão “político-institucional”. Mas é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político de fé evangélica tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um "despachante" de igrejas. Ao defender os direitos universais do homem, a democracia, o estado leigo (sem mistura de igreja e poder político), entre outras conquistas, o cristão estará defendendo a Igreja.

 

VII - Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que, em assim fazendo, conseguiria alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades, tratamento especial perante a lei ou outras "barganhas", ainda que menores. Apesar de sabermos que nos bastidores da política hajam acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais "acertos" impliquem na prostituição da consciência cristã, mesmo que a "recompensa" seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Jesus Cristo não aceitou ganhar os "reinos deste mundo" por quaisquer meios, Ele preferiu o caminho da cruz.

 

VIII - Os votos para o poder executivo e para cargos majoritários devem, sobretudo, basear-se em programas de governo e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais candidaturas que, no Brasil, são, em extremo, determinantes e não causados por "boatos". Aqueles que espalham esse tipo de notícia sem confirmação, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos.

 

IX - Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: "o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto", é compreensível que dê um "voto de confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. É aconselhável, entretanto, considerar que ninguém atua sozinho. Por melhor que seja o irmão em questão, ele dificilmente poderá ir contra a ideologia do partido ou da coligação que o apoiem.

 

X - Nenhum eleitor evangélico deve sentir-se culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor, ancião ou líder espiritual. O líder espiritual deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com Ela. Mas, no âmbito “político-partidário”, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão comum, e não como uma profecia divina.

 

Estes mandamentos foram criados pela antiga Associação Evangélica Brasileira – AEvB. Reunida em conferência em Brasília, alguns anos atrás, com igrejas, missões e instituições, julgou indispensável trazer sua contribuição informativa e formativa à comunidade religiosa a ela vinculada. Isso na intenção de contribuir para um processo eleitoral no qual o voto evangélico não seja manipulado, como muitas vezes já o foi, mas usado com consciência e objetividade, para ajudar os crentes em Cristo a amadurecerem no exercício da sua cidadania política. Assim, estabeleceram-se princípios para o uso ético do voto evangélico. Pedimos sua permissão para compartilhar uma adaptação que fizemos desses princípios, como sugestão aos crentes e aos seus líderes.

 

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